GIARDÍASE
CANINA
A Giardíase Canina é uma das causas mais
comuns de problemas intestinais em cães e seres humanos. É uma doença causada
por um protozoário flagelado, Giárdia lamblia que infecta o intestino delgado
de cães e outros mamíferos, incluindo o homen. No mundo todo, cerca de 250
milhões de pessoas apresentam giardíase sintomática, estimando-se que ocorram
500.000 novos casos por ano. Como muitos animais, incluindo os de
estimação (como cães e gatos), também são infectados por Giardia, eles podem
tornar-se uma fonte da doença para humanos.
Em cães os principais sintomas são diarréias, vômito, depressão e perda de
peso.
Uma vez instalada a doença, o animal fica mais suscetível a outras enfermidades
mais graves e até fatais.
A infecção ocorre quando o animal ingere o cisto( forma em que o protozoário se
encontra nas fezes), seja através do contato com outros animais como pela água
e outros alimentos contaminados. É importante lembrar que os seres humanos
também podem desenvolver a doença e, neste caso, hábitos de higiene e programas
anuais de vacinação dos cães são fundamentais para a proteção de toda sua
família.
O controle esta diretamente relacionado as Boas Práticas de higiene ambiental.
Os cistos de Giárdia sobrevivem no ambiente e, desta forma, são fonte de
contaminação e principalmente reinfestação para os cães, sobretudo de canis.
A remoção imediata das fezes limitará a contaminação ambiental.
O s cistos são inativados pela maioria dos compostos de amônio quaternário,
água sanitária, vapor e água fervente.
Os cistos contaminam também os pêlos dos cães, representando uma fonte de
infecção, principalmente para as pessoas que tem um contato mais freqüente com
seus animais.
A giardíase é uma doença comum de cães, gatos e
humanos, que freqüentemente é subestimada. É uma zoonose importante e é
imperativo que tanto o animal de estimação quanto a família protejam-se da
infecção.
O tratamento pode fornecer um controle eficaz, mas,
em muitas situações, as reinfestações são comuns, devido à dificuldade em se
eliminar a fonte de infecção do meio ambiente.
As taxas de infecção são altas nas áreas onde
existem grandes populações de humanos e animais, devido a maior oportunidade de
transmissão direta e indireta da enfermidade. A ingestão de somente 10 cistos é
capaz de causar a infecção. A maior prevalência das infecções por Giárdia
ocorre entre os indivíduos jovens, sem resistência imunológica, e que são mais
suscetíveis à ingestão de material fecal.
As fontes de infecção mais comuns são água e fezes
contaminadas. A transmissão fecal-oral de Giárdia é comum tanto em animais como
em humanos; os animais em confinamento podem estar expostos a grandes
quantidades de cistos infectantes no material fecal, o qual aumenta as
possibilidades de transmissão da enfermidade.
Os trofozoítos de Giárdia não sobrevivem no
meio ambiente. No entanto, os cistos são resistentes a alguns fatores
ambientais, como águas com baixa concentração de bactérias e contaminantes
orgânicos, e suscetíveis a outros, como altas temperaturas. É considerada uma
enfermidade emergente, devido à falta de métodos efetivos de controle em
humanos e animais. Um dos principais problemas é a contaminação ambiental
disseminada. A Giárdia com seu ciclo de vida simples e a capacidade de seus
cistos de sobreviver no ambiente, tem permitido que a infecção se converta em
uma das mais predominantes enfermidades parasitárias em muitas espécies de
mamíferos.
Sinais
Clínicos
Os sinais clínicos podem ser severos, mas uma
grande parcela dos infectados pode permanecer assintomática, e os animais
jovens são os que, mais freqüentemente desenvolvem os sintomas. Os sinais
clínicos da giardíase incluem diarréia mal cheirosa aguda ou crônica, vômito,
dor abdominal , desidratação, perda de peso ou redução do ganho do mesmo.
Não existem sinais característicos da giardíase,
pois diversas enfermidades intestinais se assemelham a ela, como ocorre com as
gastroenterites virais, as bacterianas e as causadas por outros
parasitos.Também se assemelha às alergias de origem alimentar, à enfermidade da
má-absorção, a gastroenterite induzida por fármacos e as enfermidades
alérgicas.
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FEZES COM SANGUE E "CATARRO" AO REDOR
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Diagnóstico
O método mais indicado, hoje, para a detecção de
Giárdia nas fezes é a Flotação com Sulfato de zinco com centrifugação, um teste
diagnóstico econômico e muito eficaz. Um fator importante é a necessidade de
utilizar três amostras de fezes, coletadas em dias alternados, ao longo de uma
semana. Isto porque a eliminação de cistos é intermitente, o que pode gerar
resultados falso-negativos quando se utiliza uma única amostra.
Tratamento
Os agentes quimioterápicos incluem os
nitroimidazóis ( metronidazol, tinidazol), furadolizona, benzimidazóis
(febendazol, albendazol), entre outros. Existem várias drogas que já foram
testadas para o tratamento da giardíase, entre elas estão o Metronidazol, a
Quinacrina, o Albendazol, o Fenbendazol e a Furazolidona . Dentre estas, o
Metronidazol é a droga mais utilizada nos Estados Unidos para o tratamento da
Giardíase.
O Metronidazol possui além de sua atividade como
antiprotozoário, uma atividade como antibacteriano, atacando bactérias
anaeróbias como Clostridium spp., Fusobacterium spp., Peptococcus spp. e
Bacteroides spp. 3,13. A droga apresenta in vitro propriedades
anti-inflamatórias e afeta a motilidade de neutrofilos, assim como alguns
aspectos da imunidade celular. Acredita-se que estes fatos sejam parcialmente
responsáveis pela melhora do quadro clínico, em especial, nos quadros de
enterocolite.5
Raramente observa-se efeitos colaterais devido ao
uso do Metronidazol, no entanto alguns animais poderão apresentar vômitos e
diarréia. Por possuir efeito teratogênico, esta droga não deve ser utilizada em
fêmeas prenhes.1 Em cães, as doses recomendadas são de 25mg/Kg via oral, duas
vezes ao dia por 5 dias; e 12,5 a 25mg/Kg via oral, duas vezes ao dia por 5
dias, em gatos.13 O Metronidazol é igualmente vantajoso nos casos onde os
tratamentos anteriores não funcionaram. Nestes casos, recomenda-se utilizar
doses maiores de Metronidazol, por um período de tempo maior (50mg/Kg, V.O.,
BID, por 10 dias).6
Como foi mencionado anteriormente, a diarréia pode
ser causada por infecções simultâneas por diferentes agentes enteropatogênicos.
Deste modo torna-se interessante a associação de drogas ampliando o espectro de
ação, como por exemplo a associação de Metronidazol com a Sulfadimetoxina. Com
efeito, enquanto o Metronidazol atua preferencialmente contra Giardia, a
Sulfadimetoxina age contra outros protozoários e bactérias patogênicas do trato
gastrintestinal.3 Deste modo, a associação Metronidazol/Sulfadimetoxina
representa um valioso instrumento terapêutico para o clínico.
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O tratamento deve ser restabelecido caso não ocorra
resolução dos sintomas. Existe a grande probabilidade do animal persistir
eliminando os cistos nas fezes, mesmo após tratamento.
O mais comum é que a base do tratamento da
giardíase seja eliminar os sinais clínicos associados com a infecção. Nos
animais, freqüentemente ocorre a reinfestação, se os cistos infectantes não são
retirados do ambiente. Isto implica em uma limpeza e desinfecção profundas
sempre que possível, além de assegurar que a água e o alimento não se
contaminem com as fezes.
Vacina
Está provado que a vacina estimula o animal a
resistir ao parasito, sendo uma solução efetiva em longo prazo para o controle
desta enfermidade parasitária, já que a imunidade natural contra Giárdia é de
curta duração. Mesmo que os tratamentos se mostrem eficazes, a reinfecção em
animais é muito freqüente , devido à dificuldade de se eliminar os cistos
infectantes do ambiente. Um animal vacinado, além de protegido contra
giardíase, não representará mais uma fonte de infecção a outros animais .